15 de abril de 2012

Oscarito, a alegria e o talento de um ídolo das multidões


REcine 2012
Humor no cinema – De 10 a 14 de dezembro, no Arquivo Nacional – Rio de Janeiro


Renata Ferreira

Lembrar dele é lembrar de um tempo em que filas quilométricas de pessoas se formavam nas portas dos cinemas para ver seus filmes. Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Diaz, nascido em Málaga, na Espanha, em 16 de agosto de 1906, o nosso incomparável Oscarito, deixou para sempre a imagem de que, se o cinema brasileiro deu certo, foi em grande parte graças ao seu extraordinário talento cômico. Oscarito foi o rei das chanchadas da Atlântida Cinematográfica, fez 34 filmes em parceria com Grande Otelo, dirigido por Carlos Manga, Watson Macedo, Moacir Fenelon e José Carlos Burle.

Chegou ao Brasil com um ano de vida, filho de pai alemão e mãe espanhola, artistas de circo. Sua vida artística começou, claro, no circo, aos cinco anos de idade, interpretando um índio na montagem de O Guarani, de José de Alencar. Palhaço, trapezista, acrobata, Oscarito chegou ao teatro de revista em 1932, com a peça Calma, Gegê, uma sátira ao presidente Getúlio Vargas. Três anos depois estreava no cinema, trabalhando em produções da Cinédia, como Noites Cariocas, Alô, Alô, Carnaval e Banana da Terra, sob a direção de Adhemar Gonzaga, Joracy Camargo, Mesquitinha, entre outros. Era o começo de uma carreira sensacional, cujo auge da popularidade se daria nos anos 40 e 50, quando foi considerado o Charles Chaplin brasileiro. Chegou a ser convidado a trabalhar nos Estados Unidos pelo ator americano Bob Hope, que ficou maravilhado com a sua imitação de Rita Hayworth como Gilda, no filme Este Mundo é um Pandeiro (1947).

Atuou em diversas companhias de teatro de revista, excursionando pelo Brasil e pelo mundo. Foi eleito pela Associação Brasileira de Cronistas Teatrais o melhor ator de 1948. Teve sua própria companhia de teatro, que montou comédias bem-sucedidas no decorrer da década de 1950, viajando Brasil afora.

A popularização da televisão no Brasil logo levou os artistas do rádio e do cinema a atuarem no novo veículo. Mas nem todos obtiveram o sucesso de outrora, e algumas carreiras acabaram entrando no ostracismo. Oscarito teve uma série na TV Tupi, Trapalhadas do Oscarito, mas não conseguiu repetir o êxito do cinema. Decidiu então se aposentar e viver em seu sítio.


Nos últimos anos de vida, vivia na estância hidromineral de São Lourenço, no sul de Minas Gerais. Morreu em 1970, aos 64 anos, o astro do circo, teatro, rádio e cinema. Casado com a também atriz Margot Louro, deixou dois filhos, Miriam Teresa e José Carlos.

Alguns dos seus filmes na Atlântida:
- Aviso aos Navegantes (1950)
- Carnaval Atlântida (1952)
- Matar ou Correr (1954)
- Nem Sansão nem Dalila (1954)
- Pintando o Sete (1959)
- Os Dois Ladrões (1960)

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