Renata Ferreira
Quem vê um filme dele deve achar que se tratava de mais um imitador de Charles Chaplin. Não, muito pelo contrário. Na verdade, ele foi a grande e assumida inspiração de Chaplin para criar seu personagem Carlitos. Estamos falando de Max Linder, o maior comediante do cinema nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Embora hoje seja muito pouco lembrado, Max fez um sucesso tão grande nas duas primeiras décadas do século XX, que é impossível contar a história do cinema sem mencionar o nome deste ator, diretor e roteirista, um desbravador, vítima dos conflitos de seu tempo.
Quem vê um filme dele deve achar que se tratava de mais um imitador de Charles Chaplin. Não, muito pelo contrário. Na verdade, ele foi a grande e assumida inspiração de Chaplin para criar seu personagem Carlitos. Estamos falando de Max Linder, o maior comediante do cinema nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Embora hoje seja muito pouco lembrado, Max fez um sucesso tão grande nas duas primeiras décadas do século XX, que é impossível contar a história do cinema sem mencionar o nome deste ator, diretor e roteirista, um desbravador, vítima dos conflitos de seu tempo.
Considerado o pai da primeira geração de comediantes do cinema, o francês nascido em Saint Loubés, em 1883, Gabriel-Maximilien Leuvielle começou no teatro e adotou Max Linder como nome artístico para poder atuar nos filmes e não sofrer preconceitos por parte de seus colegas dos palcos, numa época em que o cinema era atração de feiras. Logo ele encantou plateias no mundo inteiro com sua peculiar arte de fazer rir e abandonou o teatro. O estilo dos seus filmes era ainda primário, a câmera parada filmava a ação, o se pode chamar de teatro filmado, técnica usada nos primeiros anos do cinema, antes do surgimento dos revolucionários David W. Griffith e Sergei Eisenstein, que introduziram movimentos de câmera, closes e outras inovações que elevaram o cinema à categoria de arte. Mas o charme e a elegância de Linder certamente compensam as deficiências de um período em que ainda se desenvolviam e se descobriam as potencialidades da atividade cinematográfica.
O personagem que ele criou, um simpático e galante bon vivant, que vivia a conquistar as mulheres e acabava sempre se metendo em confusão, atraía também um numeroso fã-clube feminino. Tornou-se o ator mais bem pago da França, seus filmes de curta metragem faziam sucesso em vários países. De 1905 a 1914, se consagrou como o maior cômico do cinema, isto até o aparecimento de Chaplin.
A história de vida de Max Linder, porém, não foi tão engraçada. O ator conheceu um sucesso fabuloso até ser convocado para lutar na Primeira Guerra. Acabou atingido gravemente por uma bomba de gás venenoso, que lhe deixou sequelas capazes de atrapalhar sua carreira até então bem-sucedida. Os boatos sobre sua morte provocaram histeria entre seus admiradores. Ao voltar para casa, jamais recuperaria a popularidade que conquistou antes da guerra. Sofrendo de problemas psicológicos, entregou-se ao alcoolismo. Foi para os Estados Unidos, contratado pela Essanay (mesmo estúdio de Chaplin, na época), onde protagonizou, em 1917, três filmes, Max Comes Across, Max Wants a Divorce e Max in a Taxi. Uma pneumonia fez com que ficasse um ano internado num sanatório na Suíça. Voltou aos EUA em 1921 e fez mais três filmes, sem grande êxito. Regressou à França e atuou em Au Secors! (1924), de Abel Gance. Seu último filme foi uma produção austríaca, Der Zirkuskönig (1925), de Édouard-Émile Violet. Ali se selava a história de um grande ator.
Em 1925, decadente e depressivo, transtornado pelo álcool e as drogas, firmou um pacto de suicídio com sua mulher, Jean Peters. Terminava assim, aos 42 anos, a vida e a carreira outrora gloriosa de Max Linder, um gênio do cinema mudo e do humor, cuja obra, infelizmente, foi relegada ao esquecimento por décadas, até que sua filha, Maud Linder, a partir dos anos 60, buscasse resgatar a importância de seu pai para a história do cinema, realizando uma coletânea (En compagnie de Max Linder, de 1963) e um documentário (L’homme au chapeau de soie, de 1983) sobre o ator.
Um mestre para os que vieram depois dele, nada menos que Charles Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, entre outros, Max Linder é, sem dúvida, um dos grandes nomes do humor no cinema, que merece ser homenageado e redescoberto.

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