1 de maio de 2012

Quanto mais quente, melhor




REcine 2012
Humor no cinema – De 10 a 14 de dezembro, no Arquivo Nacional – Rio de Janeiro


Renata Ferreira*


Vamos ver se vai funcionar:
Para dirigir, um sujeito capaz de transformar qualquer filme em obra-prima;
No elenco, um galã do momento, moreno de belos olhos azuis, para ficar com a mocinha;
Um ator engraçado, que será responsável pelas cenas mais cômicas e pelo final hilário;
A maior estrela de Hollywood (o tempo vai confirmar isso).
Título do filme: Some like it hot (No Brasil: Quanto mais quente melhor)



Pronto. Quem sabe esse filme faça algum sucesso.
Para dirigir, Billy Wilder.
Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond
Atores escalados: Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe

Não foi bem assim o planejamento desse filme, até porque Billy Wilder pensou em outros atores para os papéis principais (Frank Sinatra seria um deles), mas não custa imaginar como se idealiza um marco do cinema.

Lançado em 4 de maio de 1959, não encontrou ainda páreo no gênero capaz de reproduzir o carisma dos protagonistas (dois homens travestidos de mulher), o roteiro ágil e inteligente que funciona (baseado em história de Michael Logan e Robert Thoeren), fotografia em preto e branco, as músicas, dezenas de tomadas das mesmas cenas até ficar perfeito e a loura mais deslumbrante da história do cinema. Cinco indicações ao Oscar (levou um, de figurino em P&B), inclusive nas categorias principais (diretor, ator – Jack Lemmon), feito que poucas comédias conseguiram. Ganhou o Globo de Ouro de 1960 nas categorias de melhor filme de comédia/musical, melhor ator (Jack Lemmon) e melhor atriz (Marilyn Monroe). E ganhou também o Bafta 1960 (Reino Unido) de melhor ator estrangeiro (Jack Lemmon). 

Ali começava uma deliciosa parceria, a de Billy Wilder e Jack Lemmon, que se estenderia por alguns anos e renderia filmes formidáveis, como Se Meu Apartamento Falasse, Irma la Douce, A Primeira Página e outros mais.



A cena final é antológica e ficou para a história como um dos mais perfeitos desfechos de filme.
Não há como não assistir!



* Jornalista, editora da Revista REcine (Arquivo Nacional).

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